domingo, 24 de agosto de 2008

Memórias de minhas putas tristes – Gabriel García Márquez


Não gostei tanto do livro, mas ele tem passagens incríveis:

"A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam."

"Em com-pensação, é um triunfo da vida que a memória dos velhos se perca para as coisas que não são essenciais, mas raras vezes falhe para as que de verdade nos interessam."

"e sempre tinha escolhido ao acaso as noivas de uma noite, mais pelo preço que pelos encantos, e fazíamos amo-res sem amor, meio vestidos na maior parte das vezes e sempre na escuridão para imaginar-nos melhores."

"O mundo avança. Sim, respondi, avança, mas dando voltas ao redor do sol."

"Ainda temos muito pela frente para falar de música."

"Minha única explicação é que da mesma forma que os fatos reais são esquecidos, também alguns que nunca aconteceram podem estar na lembrança como se tivessem acontecido."

"Cuidado, sábio, nessa casa matam gente. Respondi: Se for por amor, não importa."

"Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco."

"Quando minha esperança acabou me refugiei na paz dos boleros."

"Passei uma semana inteira sem tirar o macacão de mecânico nem de dia nem de noite, sem tomar banho, sem fazer a barba, sem escovar os dentes, porque o amor me mostrou tarde demais que a gente se arruma para alguém, se veste e se perfuma para al-guém, e eu nunca tinha tido para quem."

"Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética."

e a melhor:

"[...] não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego".

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